O amor tem cheiro de lavandas - Pela não gourmetização da dor
Me peguei pensando nos filmes mais tristes que vi sobre amor, nas poesias que li e nas músicas que já ouvi. Todas essas artes têm em comum uma beleza na dor.
Sabe, é como se uma história verdadeiramente romântica só fosse completa se tiver dificuldade para o casal ficar junto, tipo uma doença terminal, algo assim.
Entendo que a dramaticidade na arte é totalmente justificável. É o "tômpero", já diria Jacquin , que dá aquele toque final que todo bom apreciador de arte espera.
Fato é que a arte não imita a vida. Ela amplia a lente e joga o surreal, o imaginário, o inatingível. Tanto que, se for parar para analisar, ninguém mais quer produzir uma princesa que é beijada enquanto está morta no caixão, no meio da floresta, e chamar isso de história de amor. Eca!
Então, mesmo sabendo que tudo não passa de um devaneio, por que insistimos tanto em trazer para os nossos relacionamentos essa dor de amar?
Por que precisamos sofrer? Por que buscar esse sofrimento ou esperar por ele, quando você finalmente parece ter achado a pessoa da sua vida. A sua pessoa favorita no mundo, sabe?
Por que o tranquilo assusta?
A gourmetização da dor é trazer para a vida real a sensação de que é poético sofrer. Mas, não é. Não é belo. Não tem alegria na dor.
Qualquer boa história de amor, na vida real, pede uma receita que mistura calmaria, constância, estabilidade, segurança.
Tem que ter a paz de uma manhã no campo, com cheiro de lavandas e pássaros cantando. Tem que ser tão aconchegante quanto bolo de vó no fim da tarde. Tem que ter cheiro de terra molhada pela chuva de verão.
Tem que ser bom.
Muito bom :)

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